Boletim Nº 1. Novembro 2004
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Na Na indústria de Alimentos e Bebidas, o uso de combustíveis como a lenha (11,2% do consumo total) e a eletricidade (9,6%) tem altos custos econômicos e ambientais. Segundo o Balanço Energético Nacional - BEN/2003, o gás natural (GN) responde por apenas 2,4% desse total.

O aumento do consumo do GN depende, em parte, da realização de projetos e estudos sobre a viabilidade técnica e econômica da substituição do consumo de combustíveis em favor do GN. Exemplo deste tipo de trabalho é o projeto “Avaliação e Desenvolvimento de equipamentos industriais de queima direta de gás natural no setor de alimentos”, liderado pelo INT- Instituto Nacional de Tecnologia e patrocinado pela Petrobras e FINEP. O projeto faz parte da RGE- RedeGasEnergia, teve início em outubro de 2001 e deverá encerrar-se em dezembro de 2004.

O objetivo é avaliar e desenvolver tecnologias empregadas em equipamentos industriais de queima direta de gás natural no setor de alimentos, para otimizá-las no sentido de aumentar a eficiência energética, reduzir custos e aumentar a segurança operacional. Um dos principais resultados já obtidos foi a concepção de fornos a gás natural, com eficiência superior à dos fornos elétricos, a lenha e a GLP.

O mercado-alvo compõe-se dos fabricantes de equipamentos (fornos de panificação industrial, fornos de pequeno porte para panificação tradicional, secadores de massas alimentícias e torradores de café) e dos usuários de equipamentos, especialmente os de panificação industrial (biscoitos e pães) e de torrefação de café.

Os estudos concentraram-se em fornos e secadores empregados nas indústrias de massas (pães, biscoitos etc), cujos processos tradicionalmente usam outros energéticos, principalmente energia elétrica e GLP, e buscaram obter alternativas que estimulem a opção por equipamentos mais modernos e eficientes, operando com GN, e levem à substituição de parte do consumo empregado por outros energéticos, sabendo-se que o consumo total no setor de Alimentos e Bebidas, em 2002, segundo o BEN- 2003, foi de 15,74 Mtep/ano (equivalentes a 44,4 milhões de m³/dia de GN).

Construiu-se um protótipo de forno de panificação a gás natural, do tipo teto e lastro a gás, cujos testes mostraram uma eficiência superior à dos fornos elétricos, a lenha e a GLP, disponíveis no mercado. O produto desenvolvido incorpora um leve aperfeiçoamento quanto aos queimadores e à câmara de combustão, e deverá gerar patente junto ao INPI. Considera-se que pode competir plenamente com seus concorrentes, devido à sua maior economia operacional, mesmo sendo cerca de 15 a 20% mais caro que estes.

O projeto encontra-se na sua última fase, que trata da transferência de tecnologia e de resultados, em diversos aspectos, para os segmentos avaliados. No aspecto científico, tem-se, principalmente, o desenvolvimento de modelagem no campo de fluxo de gases quentes (laminar), o desenvolvimento de procedimento experimental para simulação de gases quentes em câmaras de combustão.

Em termos de tecnologia, será requerida patente de novo processo de cozimento de pães, e já houve transferência tecnológica para uma indústria de fornos de padarias. No momento, essa transferência ocorre, no que se refere aos fornos de panificação, para outros fabricantes e, no caso dos demais equipamentos estudados, para associações, sindicatos e alguns fabricantes.

A redução da emissão de gases poluentes ou tóxicos (CO) é importante no que toca ao meio-ambiente e, pelo aspecto sócio-econômico, há a possibilidade de redução de custos na fabricação de produtos alimentícios, convergindo para diminuição de preços.

O projeto deverá gerar relevante contribuição para a massificação do uso do gás natural, pois oferece um produto inovador e de muito interesse para um setor com grande potencial para concorrer, em termos de uso de GN, com energia elétrica e GLP.

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