Durante Seminário
"Desafios dos Grandes Consumidores de Energia Elétrica", promovido
pelo GESEL da UFRJ, Guilherme Dantas, pesquisador do grupo, defendeu a criação
de um mercado secundário de energia elétrica, para a comercialização de
contratos de venda de energia já firmados no mercado livre, como essencial para
a redução do preço da energia no país. Ele explicou que a indústria fica
exposta a mudanças no cenário econômico com a possibilidade de contratar mais
energia do que realmente precisará no longo prazo. O pesquisador disse ainda
que não faz sentido que os contratos de energia sejam indexados ao IPCA, pois
quando um dos itens da cesta que forma o índice sobe, o preço da energia sobe
mesmo que esse item não tenha nada a ver com os custos da energia elétrica.
Ainda segundo ele, a tarifa de energia é um fator que pesa na perda de
competitividade da indústria brasileira. "As tarifas no ACR são caras em
relação a outros países. Se as indústrias comprassem no mercado regulado já
teriam fechado as portas. Em contrapartida, o mercado livre só ofertou energia
a preços competitivos em momentos de sobra por razões conjunturais - no pós-racionamento
e na crise em 2008", analisou Dantas. Dantas reiterou que o governo estuda
um pacote de medidas para a redução do custo da energia, que pode ser anunciado
este ano. Dentre as medidas, destacam-se a redução de encargos de tributos e
troca de indexadores. (Valor Econômico – 04.07.2012 e Agência CanalEnergia –
03.07.2012)
Quarta, 4 de julho de 2012
GESEL defende criação de um mercado secundário de energia elétrica
Hidrelétricas atrasadas obtêm liminar para não pagar por concessões
Produtores e autoprodutores
independentes de energia elétrica, responsáveis por sete usinas hidrelétricas -
licitadas pelo governo no início da última década e que ainda não saíram do
papel - conseguiram ontem uma liminar para não pagar pelas concessões que
começaram a ser cobradas no dia 15 de junho. A liminar foi concedida pela 7ª
Vara da Justiça Federal
Abiape: entramos na justiça para só pagar quando efetivamente começamos a usar o bem público
Segundo Menel, presidente da
Abiape, todas as usinas juntas que obtiveram liminar para não pagar pelas
concessões, terão de pagar cerca de R$ 9 bilhões de UBP durante o período de
concessão. "Como não começamos a usar o bem público ainda, nenhuma dessas
usinas está em operação ou em construção, nós então entramos na justiça para só
pagar quando efetivamente começar a ser usado", disse Menel, após
apresentar palestra em seminário sobre energia elétrica na UFRJ. (Valor
Econômico – 04.07.2012)
Livres temem apagão de contratos
Uma possível escassez de
energia para o mercado livre por volta de 2015 faz crescer a expectativa dos
agentes em torno da proposta que o governo deve enviar ao Congresso Nacional
ainda este mês para a renovação das concessões elétricas de geração. O
EnergiaHoje apurou que, caso a decisão se volte para uma alocação integral da
energia de empreendimentos amortizados junto ao mercado cativo, pode se repetir
a situação de apagão de contratos que precedeu a crise financeira mundial de
2008. Estima-se que o volume de energia liberada durante o processo fique em
torno de 20% do mercado brasileiro como um todo. Como ambiente livre responde
por 27% desse bloco, se abriria um gap de 5,4%. Outro efeito temido é que esse
cenário, uma vez confirmado, provoque uma corrida de consumidores livres de
volta ao mercado cativo. Oficialmente o prazo mínimo para retorno é de cinco
anos. Há situações em que as companhias
acabam flexibilizando essa carência, mas de acordo com o interesse sobre o
cliente. (EnergiaHoje – 03.07.2012)
P&D alavancou inovação no setor, diz Ipea
O P&D do setor elétrico,
regulado pela Aneel, aumentou a quantidade de agentes que realizam atividades
de pesquisa e contribuiu para a criação de uma cultura de inovação nas empresas
do setor. Segundo estudo elaborado pelo Ipea, metade dos agentes disse que só
começou a realizar atividades de pesquisa depois da exigência legal. “Mesmo
aqueles que já realizavam essas atividades reconheceram que o volume de
recursos aumentou com o programa”, aponta o comunicado “Inovação Tecnológica no
Setor Elétrico Brasileiro: Uma Avaliação do Programa de P&D Regulado pela
Aneel”. Segundo o Ipea, 20% dos agentes ressaltaram que, antes, suas atividades
eram mais voltadas para inovação e não para P&D propriamente dito, com
ações que buscavam um retorno mais rápido. O estudo também observa que
quantidade de recursos exigidos para serem investidos em P&D é superior à
que os agentes teriam capacidade de aplicar. Segundo o Ipea, isso resultou na
utilização de recursos do programa para projetos que não seriam necessariamente
de P&D. Apesar de alguns casos envolverem inovação para a empresa
responsável, havia baixa probabilidade de fracasso, o que não justificaria a
necessidade de fomento público. O instituto ainda sugere que seja incentivado o
maior alinhamento dos projetos às estratégias das companhias. (Jornal da
Energia – 03.07.2012)
Revisão tarifária: proposta de novas regras
Os efeitos econômicos e
financeiros decorrentes da revisão tarifária periódica deverão ser aplicados de
forma escalonada nas tarifas das distribuidoras, nos reajustes anuais
subsequentes à publicação do resultado definitivo do processo. A proposta está
em minuta de resolução que a Aneel vai submeter à audiência pública entre os
próximos dias 5 e 27 de julho, e tem como objetivo definir procedimentos para o
repasse da variação de receita resultante da diferença entre as tarifas
cobradas na vigência da revisão. Contabilizada como componente financeiro a ser
incluído na tarifa, essa diferença, segundo a proposta, terá seu valor
atualizado pelo Índice Geral de Preços do Mercado. Ela será dividida em
parcelas anuais, remuneradas pela aplicação da Wacc de 7,50%, definida para o terceiro ciclo de
revisões tarifárias. A regra será aplicada às concessionárias que tiveram o
processo de revisão postergado pela Aneel, em razão do atraso na definição das
metodologias do terceiro ciclo de revisão tarifária. (Agência CanalEnergia –
03.07.2012)
Aneel obtém decisão favorável sobre ultrapassagem de demanda e excedente de reativos
A AGU conseguiu decisão
favorável à Aneel no Agravo interposto pelo órgão regulador, contra liminar –
deferida em primeira instância - da ação interposta pela Abradee contra a
Resolução Aneel 463, de 22 de novembro de 2011. Esse normativo alterou o
tratamento tarifário dado às receitas auferidas com a tarifa de ultrapassagem
de demanda e excedente de reativos. Segundo a decisão do juiz federal e relator
do caso, Evaldo de Oliveira Fernandes, as tarifas cobradas por ultrapassagem de
demanda e de excedentes de reativos não são remuneração das distribuidoras.
“Tratam-se, antes, de uma forma excepcional de combater a indevida contratação
da rede. Pune com uma espécie de "sobretarifa" o médio e o grande
consumidor”. O agravo, contra liminar na ação interposta pela associação, foi
interposto, pela Aneel, no TRF da Primeira Região. (Agência CanalEnergia –
03.07.2012)
Aneel aprova estudos de inventário do Ribeirão da Cachoeira (GO)
A Aneel aprovou os Estudos de
Inventário Hidrelétrico do Ribeirão da Cachoeira, localizado no estado de
Goiás. Os estudos, de titularidade de Jandir Inéia, identificaram um
aproveitamento com potência inventariada de 2,5 MW. A decisão foi publicada por
meio do Despacho nº 2.177, de 02/07/2012. Com a aprovação dos estudos, o
aproveitamento hidrelétrico identificado passa a integrar a carteira de usinas
disponíveis para elaboração dos estudos de viabilidade e projeto básico,
considerando o direito de preferência que o titular terá, conforme
regulamentação vigente. (Aneel – 03.07.2012)
Compensações financeiras e royalties pagos por hidrelétricas já superam R$ 1 bilhão
A Aneel contabiliza que as
usinas hidrelétricas já pagaram mais de R$ 1 bilhão em compensações financeiras
e royalties nos primeiros seis meses de 2012. Somente em junho, o montante foi
de R$185,4 milhões. No primeiro semestre, foram pagos a municípios, estados e
União R$ 904,4 milhões
Consultor cobra mais severidade por parte de reguladores
Descumprimento de cronograma
de obras, endividamento insustentável de concessionárias de energia, além de
recentes casos polêmicos no ambiente de comercialização. Para Eduardo Bernini -
que já presidiu AES Brasil e EDP e hoje está na consultoria Tempo Giusto -
esses incidentes precisam ser acompanhados com mais rigor pelos órgãos do setor
elétrico. “Trata-se de aplicar, pois as regras estão lá”, comentou o executivo,
ao analisar que não há necessidade da criação de novos mecanismos de
fiscalização e controle. Para o especialista, processos disciplinadores têm que
ser mais efetivos em casos como, por exemplo, o não cumprimento do cronograma
de implantação de usinas por Bertin e Multiner. “Se você assume
responsabilidades e obrigações em um leilão público, no qual você optou em
participar por vontade própria, tem que cumprir o que está determinado”,
enfatizou. Ao fazer o comentário, Bernini apontou também os atrasos de diversas
obras do setor de transmissão. Bernini considera que os mecanismos existentes
são eficientes em que disciplinar e fiscalizar, mas diz que deveria haver um
acompanhamento para que as medidas não sejam somente paliativas (Jornal da
Energia – 03.07.2012)
Artigo de Claudio Sales (Instituto Ascende Brasil): "Qualidade no fornecimento de energia"
Em artigo para o Estado de S.
Paulo, Claudio Sales, presidente do Instituto Ascende Brasil, combate o que tem
sido veiculado na imprensa: a piora na qualidade do serviço de energia. Para o
autor, é exatamente o contrario que ocorre: os indicadores que medem a
qualidade do serviço só têm melhorado nos últimos tempos. Outra critica feita é
em relação ao ranking de qualidade da Aneel, que mais confunde do que explica.
Salles lembra que a boa prestação do serviço de energia não depende apenas das
distribuidoras e sim de toda uma cadeia de agentes na qual a falha de um
compromete todo o sistema. E os maiores incidentes dos últimos anos ocorreram
na transmissão e não na distribuição. O debate sobre a qualidade requer a
compreensão da realidade e das peculiaridades do setor elétrico. Também é
importante contrapor a busca por maior qualidade com o objetivo de modicidade
tarifária. Qualidade tem um custo e é preciso avaliar qual é o ponto de
equilíbrio desejado pela sociedade. O desafio é “acertar a dose”. Para ler o
texto na íntegra, clique aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 04.07.2012)
Coordenador do GESEL/UFRJ participará de evento da CPFL
Durante todo o mês de Agosto,
às quintas-feiras, 19h, a CPFL Cultura promove o “Invenção do Contemporâneo”
sobre o modelo elétrico do setor brasileiro. O coordenador do Gesel/UFRJ, Nivalde
de Castro, é o curador do evento e apresentará a primeira palestra “A evolução
do setor elétrico brasileiro e os 100 anos de CPFL” no dia 02/08. (GESEL-IE-UFRJ
– 04.07.2012)
Equatorial diz que aportará até R$1 bilhão na Celpa
A Equatorial Energia tem um
plano de recuperação para a Celpa que envolve um aporte financeiro de R$700 mi
a R$1 bi. Os números foram apresentados pelo presidente da Equatorial, Firmino
Sampaio, que participou de reunião com o governador do Pará, Simão Jatene. “Viemos
num ato formal, para dar conhecimento ao governador de que assinamos com o
grupo Rede Energia um documento de exclusividade para examinar a companhia
Celpa nos próximos 30 dias e apresentar uma proposta de compra da empresa para
tocá-la daqui para frente”, explicou o executivo. Segundo ele, o documento
apresentado trata apenas de um passo inicial, celebrado entre as duas partes,
que agora depende da negociação da dívida, que está sendo feita pelo
administrador inicial. A assembleia de credores da Celpa está marcada para 9 de
julho. Se não houver quorum, uma segunda e última chamada está marcada para o
dia 3 de agosto, data limite para a negociação. (Jornal da Energia –
03.07.2012)
Cemig quer debêntures em 2013 para alongar dívida
A Cemig pretende levantar
recursos em 2013 por meio de debêntures do Novo Mercado e de infraestrutura,
afirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Luiz
Fernando Rolla. O executivo não prevê novas captações em 2012 e disse que as
emissões de dívida do ano que vem serão destinadas a alongar o perfil do
endividamento da companhia, com prazo médio atualmente de cerca de 3,5 anos. Os
vencimentos em 2013 totalizam 5 bi de reais. Rolla disse ainda que a empresa
pode acessar o mercado de dívida também para financiar novos investimentos, se
ocorrerem. A Cemig anunciou nesta terça-feira o cronograma e os detalhes da
oferta pública inicial de ações do seu braço de transmissão, a Taesa, em uma
operação que pode movimentar até 1,9 bi de reais. A Renova Energia, empresa da
Cemig na área de energias renováveis, não tem mais necessidade de levantar
capital no curto prazo, segundo Rolla. (Estado de S. Paulo - 03.07.2012)
Tarifa da Eletropaulo (SP) é aprovada pela Diretoria da Aneel
Os consumidores da capital e
mais 23 municípios do estado de São Paulo terão um impacto negativo nas tarifas
de energia elétrica a partir desta quarta-feira (4/7). Os índices para a
Eletropaulo foram aprovados durante reunião pública da Diretoria da Aneel. O
valor da tarifa aprovado é resultante dos efeitos dos cálculos da revisão
tarifária e do reajuste. O valor final médio do reajuste da Eletropaulo
resultante desses processos será de uma redução de 2,26%. O índice para a
classe de baixa tensão será -1,45%. Já o percentual médio para os consumidores
de alta tensão ficou definido em -3,71%. Como a empresa deveria passar por
reajuste anual em 2012, foi realizada uma aplicação simultânea da revisão
tarifária e do reajuste da seguinte forma: a revisão foi calculada tendo como
referência sua data original. O valor pago a mais pelos consumidores, durante o
período de vigência da tarifa provisória, será considerado nos reajustes de
2013 e 2014, reduzindo-os. Durante a reunião extraordinária também foram
aprovados os limites dos indicadores de qualidade DEC e FEC. (Aneel e Valor
Online – 03.07.2012)
